No silêncio da madrugada, no frio da noite, no vazio de seu quarto, ela pensava.
Ela avaliava cada ato seu.
Ela tentava entender o porquê das coisas serem daquela maneira.
Um dia tudo está bem. Tudo está maravilhoso e natural.
Já noutro dia, parece que tudo desaba de uma altura extremamente perigosa.
Colocando a mão em seu coração, ela via algo errado, pois doía, machucava.
Motivos para isto? Sim, havia muitos. Havia motivos demais para isso.
Lágrimas escorreram pelo seu rosto, e seus olhos arderam. Cuidadosamente, ela as enxugou, e nesse momento, o que ela mais desejava era um abraço verdadeiro. Abraço este, que pudesse “curar” todas as suas feridas, e portanto, fizesse com que toda essa dor sumisse como num passe de mágica.
Um abraço que pudesse fazer com que desculpas saíssem de sua boca. Um abraço que pudesse selar a paz e a harmonia novamente. Que fizesse com que tudo se resolvesse e tudo voltasse a ser como era antes.
Mas o orgulho e o medo voltaram a perturba-la. Ela não teve coragem o suficiente para ir atrás do que mais desejava no momento. Ela não encontrou abertura para isso.
Por detrás dessa cara de forte e corajosa, ela era apenas uma menina indefesa, mergulhada em seus medos e sofrimentos. Ela não gostava de se abrir com ninguém sobre coisas assim, e portanto, a única pessoa que podia a ajudar era ela mesma.
Mais lágrimas escorreram. Mais dor a atormentando.
Então ela olha pro celular, angustiada.
A vontade imensa de ligar pra ele, de ouvir a respiração dele. De ouvir o que ele tem a dizer, se é que ele tem algo a dizer.
Várias chamadas não atendidas. Vários toques recebidos. Mas apenas duas respostas dela. Novamente o orgulho tomava conta. Mas ela não sabia se era a coisa certa a fazer. Pois aquela pessoa não era ela. Ela não sabia agir assim.
Mas não havia outra coisa a fazer. Ela estava triste, estava magoada, estava confusa!!
Era muita coisa para uma cabeça só.
Ela não estava conseguindo viver. Estava triste, sozinha.
Onde olhar? Que caminho seguir? O que fazer?
Perguntas sem respostas a deixavam irritada. Ela queria respostas!!!
Queria a solução para os seus problemas. Queria que tudo se resolvesse como na matemática. Que tudo tivesse uma regra, como na matemática. Queria que a vida fosse menos complicada, com menos chances de errar, com menos problemas a serem resolvidos, com mais possibilidades de acertos, e consequentemente, um período de felicidade maior a cada dia que passasse.
Ela dominava os números. Gostava bastante de matemática pelo simples fato de tudo ser o que realmente é! Pelo fato de que tudo é explícito. Tudo o que se quer ver, está escrito ou demonstrado. Basta abrir os olhos e reconhecer cada vírgula do problema, para depois, com um lápis e um papel, começar a resolução, que é simples demais para quem consegue enxergar a principal pergunta do problema!
E a vida? É assim também? As vezes me parece que não. A vida é muito mais complicada que a simples matemática, pois não há uma fórmula para se resolver problemas reais.
O problema está nos detalhes que as vezes se passam por despercebidos.
O verdadeiro problema está nas pequenas coisas que deixamos de fazer. Nas simples palavras de deixamos de dizer. Num simples ‘me desculpe’, ou ‘eu te amo’, que são adiados cada vez mais.
Quando pequenas coisas assim são esquecidas ou deixadas de fazer, a vida se torna um problema que não é tão simples de ser resolvido. Se torna um problema complicado e muito complexo, capaz de destruir corações.
Palavras não são apenas palavras. Ainda que ditas em momentos errados, ou em sentidos errados, elas machucam. Pois uma vez ditas, não se podem mais calar. Antes de machucar alguém, devemos pensar bem em quais palavras usar. Pensar bem no que se quer dizer com elas. Caso contrário, vidas que poderiam ser lindas, podem ser destruídas e perdidas para sempre. E uma vez perdida, dificilmente retornará forte e intensa como antes.